A Festa

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Imagem da festa. .
Imagem da festa. Tânia Kanaan

108ª Festa de São Benedito

A Festa de São Benedito, que já existe há 108 anos, é considerada a maior manifestação religiosa, cultural e folclórica do estado de São Paulo, devido à envergadura e complexidade das inúmeras atividades realizadas. Tem duração de nove dias, período em que a cidade acolhe aproximadamente trezentas mil pessoas. Turistas culturais, religiosos e estudantes de todo o Brasil, que vêm a Aparecida prestigiar o evento e renovar a fé no Glorioso Santo. Começou a ser comemorada em Aparecida com a fundação da Irmandade de São Benedito, em 1909, dando início à tradição da escolha de um rei e uma rainha (os festeiros), coroados a cada ano, e das comissões de pessoas voluntárias, que trabalham e se dedicam integralmente na estruturação e desenvolvimento das festividades. Neste ano de 2017, no período de 16 a 24 de abril comemoraremos a 108ª Festa de São Benedito. Os preparativos se iniciaram no momento em que o Rei e a Rainha foram coroados na Festa do ano anterior e escolheram a Comissão Organizadora com várias equipes de trabalho (neste ano 40), reunindo cerca de 1000 voluntários, cada qual com uma tarefa a cumprir, unida a uma comunidade participativa, que durante todo o ano, numa luta incansável, busca, através de campanhas e promoções beneficentes, angariar recursos financeiros para custear as despesas com as atividades programadas e cultivadas há mais de um século, imprescindíveis para que os valores religiosos, culturais e folclóricos não se percam no tempo.

Por influência da Festa de São Benedito na vizinha cidade de Guaratinguetá foi que um grupo de aparecidenses fundou a irmandade de São Benedito com a finalidade de organizar a festa em Aparecida. Foi comprada uma bela imagem do santo que ficou exposta numa loja, a Casa das Araras, muito movimentada, junto a um cofre, para arrecadar fundos. Em 1906, a imagem foi transferida para a igreja de Santa Rita, no bairro do mesmo nome, ao lado do portão de acesso ao Shopping do Santuário Nacional. Quando foi realizada a primeira festa em 1910, um cortejo foi até a igreja de Santa Rita buscar São Benedito. Ao final da festa celebrada na Matriz Basílica " Igreja Velha", as imagens foram levadas de volta para aquela Igreja. A imagem de São Benedito veio em definitivo para sua igreja em 1919. No ano seguinte, 1920, primeira festa na igreja do Santo, uma procissão foi buscar Santa Rita para participar. Ao fim das celebrações, outra procissão acompanhou Santa Rita para sua “casa”. Desde então, todos os anos a cena se repete. São Benedito vai buscar Santa Rita e, depois da Festa a leva de volta, junto com os novos Reis. E nova festa começa

Toda segunda terça-feira de cada mês, durante o ano, Rei, Rainha, Irmandade e Devotos, participam da missa às 19h, na Igreja de São Benedito. Depois, em procissão, vão para a casa dos Reis rezar o terço diante do altar do Santo. Após o terço, alegre confraternização.

A Festa de São Benedito foi crescendo. Muitas pessoas ajudavam a seu modo. Era preciso organizar a ajuda. Com o tempo, foram sendo criadas Comissões. Os reis escolhem um coordenador e, este, convida pessoas para ajudá-lo, sempre de acordo com metas estabelecidas pela organização da festa. Atualmente, cerca de mil voluntários trabalham em trinta e nove comissões a saber: Acolhida das Congadas; Administração da Rifa; Almoço da Irmandade; Arrecadação e Compras; Assessoria; Bingo Noturno; Bingo Diurno; Bonecos; Café das Congadas; Cavalaria; Cerimonial; Comercial; Comunicação; Congadas; Decoração; Doces; Enduro; Eventos; Fiscalização; Gincana de Motos; Gincana Escolar; Guardiões; Histórica; Intercessora; Irmandade; Jurídica; Lanche da Irmandade; Lanche das Comissões; Leilão de Gado; Litúrgica; Marketing; Mastro; Patrimônio; Procissão; Produção Musical; Secretaria; Segurança; Tesouraria e Visual Externo! Tudo isso para louvar São Benedito!

Quando a festa se aproxima, é feito um andor com a imagem de São Benedito que, levado pelos Reis, devotos e um padre, mais representantes da Irmandade, visitam todas as escolas da cidade. A missão é falar sobre a festa, no seu contexto religioso e histórico, preparando o alunado para a festa e para a Gincana Escolar. As escolas são enfeitadas e o andor é recebido com festa. As crianças e os jovens, assim, tomam conhecimento da tradição que deverão manter, fazer crescer e melhorar.

Tudo começa no Domingo de Páscoa, com a primeira novena. O batuque típico da Irmandade de São Benedito avisa diariamente que a reza vai começar, trazendo consigo, num pequeno cortejo, o rei e a rainha para o primeiro dia de orações, na Igreja de São Benedito. Esta talvez seja uma das poucas manifestações exclusivamente religiosas existentes no período. A tradição, iniciada em 1909 se repete. A área em volta da igreja - toda enfeitada com bandeirinhas coloridas - é tomada por barracas que vendem comes e bebes. Toda a cidade vive em função da festa que chega a reunir 300 mil pessoas durante os 9 dias. A movimentação é tanta que foi preciso fazer uma outra novena, às 17h, para que mais pessoas possam participar. Em cada dia os devotos são convidados a levar alimentos não perecíveis que serão usados nas refeições das congadas convidadas. O que não for usado será distribuído pelas entidades que atendem menores e idosos carentes.

Crianças e jovens são chamados a manter a tradição da festa de São Benedito, através de gincanas organizadas por uma comissão de professores. Os alunos da rede escolar participam de provas artísticas, culturais e de serviços comunitários. Essa gincana acontece durante a semana da festa e é muito concorrida.

O leilão de gado é bem tradicional. Acontece desde 1922. Os fazendeiros doam garrotes e novilhos. Dois ou três meses antes da festa a comissão do Leilão de Gado percorre as fazendas anotando os oferecimentos. Na semana da festa manda procurá-los, reúne o gado, ultimamente, na Pousada Jovimar, e, logo após as festividades da manhã do dia da festa, processa-se o leilão. Há pessoas que “compram” de volta suas doações e outros que, pela distância, doam dinheiro. Antigamente dizia-se que negar para São Benedito poderia causar sérios danos ao rebanho...

Elas chegam no sábado, na antevéspera da grandiosa festa de São Benedito e têm encontro marcado, de manhã, no Santuário Nacional. Vão prestar homenagem a Santa Padroeira, Nossa Senhora Aparecida. À tarde, fazem sua consagração a Nossa Senhora Aparecida, na Praça da Matriz-Basílica (Basílica Velha). Em seguida vão em procissão para buscar a imagem de Santa Rita em sua Igreja, tradição que só existe na festa de Aparecida. É uma forma de agradecimento, pois durante muito tempo a imagem de São Benedito, que na época não tinha sua própria Igreja, ficou “hospedada” na Igreja de Santa Rita. Em seguida, trazem as imagens e os Reis para a novena. Depois descansam para enfrentar a árdua maratona dos dois dias seguintes, quando acontecem diversas manifestações como a Missa Conga, o Levantamento do Mastro, a Alvorada e procissões. Dançam e cantam num ritmo alucinante em louvor ao santo negro, cozinheiro e descendente de escravos.

Desde 1998, foi incluída na programação, a Missa Conga. Celebrada na parte da manhã do domingo da festa, geralmente por um padre negro, segue a estrutura litúrgica da missa comum mas os cantos e as leituras são feitos por membros das congadas. Alguns cantos são em ritmo de congada. Uma festa de cores e sons.

Os bonecos gigantes João Paulino e Maria Angu se fazem presentes, para a alegria da criançada; passam correndo entre as pessoas, provocando as crianças. A vaquinha serve de segurança aos bonecos. Quando estes são atacados pelas crianças, que gostam de puxar-lhes as mãos e as roupas, a vaquinha avança contra eles, espantando e aumentando a alegre confusão, que fica ainda maior pela presença da bruxa Miota, personagem que remonta a rituais europeus do século XVI. Trazidos de São Luís do Paraitinga em 1973, desde então se incorporaram à programação da festa.

A partir de 1915, um mastro passou a ser levantado no largo da capela de Santa Rita. Essa cerimônia foi incorporada à festa e é mantida até hoje. O levantamento do mastro, que fica até o ano seguinte, quando é substituído, representa a vitória dos cruzados que fincavam a flâmula com a cruz ou a imagem da Virgem de São Lucas, depois das batalhas. Em frente ao cortejo estão o “Capitão do Mastro”, o “Tenente da Coroa” e o “Alferes da Bandeira”. Pintado de azul e branco, cores que representam a pureza e a fidelidade, com treze metros de altura, o mastro é carregado pela multidão. Ajudar a carregá-lo é promessa de bênçãos. Chegando ao lugar de destino, coroa e bandeira são fixadas no mastro e o conjunto, envolvido por cordas é colocado em um buraco onde são lançados dinheiro e pedidos de graças. Com o auxílio de ganchos e cavaletes o mastro é erguido ao som das congadas, aplausos dos devotos e muitos fogos.

Em 1974, o então rei, Josué Lourenço, convidou a Cavalaria de Guaratinguetá para desfilar em Aparecida. Como as festas eram no mesmo dia, foi preciso autorização do padre, Ângelo Licatti, para que a festa de Aparecida acontecesse uma semana depois. O evento continuou, atraindo cavaleiros de Aparecida e de outras regiões somando-se, atualmente, mais de mil animais.

Terminadas as cerimônias religiosas, mesmo com as barracas e os leilões, era necessário distrair o grande número de devotos que ficavam na praça. Gente de perto e de longe pedia mais atrações. Por isso, com o tempo, foram sendo convidados cantores e conjuntos musicais, da região ou mais conhecidos, dependendo dos recursos financeiros da festa, para cantar e tocar, alegrando o povo a dançar em plena praça.

São Benedito sempre foi cultuado, entre outras virtudes, como cozinheiro. As festas em seu louvor têm a ver com fartura. Muita comida e muitos doces. Desde os primórdios, ainda em Guaratinguetá e, depois, em Aparecida, havia distribuição de almoço e de doces para os pobres. Com o tempo, a tradição dos doces se firmou, sendo que grandes filas passaram a se formar para que os devotos pudessem pegar ao menos um pouco, quer para comer na hora ou para levar como remédio ou pedido de graças. Os doces eram feitos nas casas dos amigos dos festeiros, por doceiras e doceiros, em grandes tachos, sobre fogo de lenha. Como o consumo foi aumentando, já a partir de 1978, passou-se a adquirir doces industrializados, em latas, para dar conta de tanta procura. Hoje, embalados em caixinhas de isopor, são benzidas as porções de doce de abóbora, batata, mamão. Após a bênção, uma fila paciente e ordeira recebe seu doce, como em procissão.

Anjos e damas, Irmandade de São Benedito, Juízes de Vara e Ramalhetes, a corte, ex-Reis, andores de vários santos precedidos por devotos de cada comunidade personalizados ou com roupas de outras épocas, crianças vestidas de São Benedito e Santa Rita, congadas, marujadas e Moçambiques, sob inspiração do tema da festa e da Campanha da Fraternidade. É a procissão. Atrás do andor que carrega a imagem de São Benedito, ricamente adornado, milhares de fiéis acompanham o cortejo. Muitos, por promessa, descalços. Nas calçadas, multidão assiste o belo desfile, aguardando a passagem do andor do Santo. Nas pausas dos congadeiros, a Banda Municipal ou a da APAE, tocam músicas religiosas. Dos prédios, papel picado é lançado, criando nuvens de brilhos em meio a aplausos e vivas. A alegre caminhada do povo de Deus. Ao final da procissão, a imagem é levada para a igreja, onde recebe a bênção e fica exposta para visitação. Muitos pegam pedaços do andor para levar como relíquia protetora.

Por tradição, motivo de muita curiosidade para os devotos de Aparecida, na procissão, atrás dos Reis do ano, vem o casal que será o coordenador da próxima festa. Ao final da procissão é realizada uma cerimônia de transferência de reinado. Os novos Reis recebem as coroas de seus antecessores. Já no dia seguinte, lideram o desmonte das barracas. À noite, Santo, Irmandade e Reis levam a imagem de Santa Rita para sua igreja. Depois, seguem para a casa dos novos Reis. A imagem de São Benedito é entronizada na casa e é oferecido um lanche aos acompanhantes. Termina um ciclo e outro se inicia. Festa de São Benedito em Aparecida. A festa que não tem fim.


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